Pensamentos

Cultura, Arte, Beleza e Educação  (Pensamentos) escrito em sexta 23 maio 2008 21:36

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Cultura, Arte, Beleza e Educação

Professora Dr. Ana Mae Barbosa

A palavra “cultura“ pode ter um significado restrito e um significado amplo.

Ela tem significado restrito quando dizemos:

“Marta é uma pessoa culta.”

Isto significa que Marta demonstra certas qualidades em seu modo de se comportar, no seu modo de falar e no modo como domina o corpo, o que demonstra ser ela uma pessoa formalmente educada, que freqüentou escolas.

Este sentido restrito é subjetivo do ponto de vista de quem julga.

No sentido amplo, cultura é toda e qualquer produção do ser humano.

Para ser mais específica, diria que cultura é um campo organizado de atividade humana coletiva que tem características específicas que operam dentro de limites mais ou menos definidos, os quais estão em constante modificação.

Este é um conceito antropológico-social de cultura, mas também podemos falar de um aspecto biológico da cultura.

Neste sentido, cultura é um organismo que nasce e cresce na luta e na dependência dos recursos naturais das diferentes regiões da biosfera.

A internet, criando a cultura virtual, trouxe outro sentido para cultura, a cultura centrada em interesses particulares e desvinculada do lugar biogeográfico.

Arte é o coração do corpo cultural.

Ninguém pode conhecer a cultura de um agrupamento humano ou de um país sem conhecer sua história e sua Arte. É, portanto, em primeira instância, uma razão cultural que nos leva a estudar Arte.

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Bonito lhe parece?  (Pensamentos) escrito em sexta 23 maio 2008 19:39

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quem ama o feio bonito lhe parece     

Professora Dr. Ana Mae Barbosa

As reações do Nazismo, do Socialismo Soviético e do Regionalismo Americano contra as vanguardas artísticas buscaram reinstalar a grandiosidade da Arte. A vanguarda modernista dos anos 20 desempenhou o papel de crítica social do mesmo modo que o Pós-Modernismo pensou politicamente quando tentou instalar a antiestética, mas na realidade instalou uma radical abertura em que tudo é possível como Arte.

Não se pergunta mais “isto é Arte?”, porém “quando isto é Arte?”. O contexto passou a ser mais definidor da Arte que a própria forma.

Como a Arte era apresentada como o lugar supremo da Beleza, o pedestal da Beleza, ao recusarem a Beleza os artistas a libertaram de normas específicas.

Livre, ela começou a deambular atraindo nosso olhar para muito além da Arte, para o mundo que nos acalenta, para o cotidiano, para a cultura visual que nos cerca, para as pequenas coisas visíveis apenas a olhares penetrantes.

A chamada estética do cotidiano nos faz reconhecer Beleza

  • no modo como são arranjadas frutas na barraca de feira, no modo como um vendedor de balas dá realce à sua banca pintando-a;
  • no modo como se vestem as pessoas do povo nas ruas, nas vitrines e nas roupas das passarelas da moda;
  • ou no modo como as pessoas arranjam suas casas;
    Há uma tendência inelutável dos organismos sadios para se cercarem de Beleza e nos organismos doentes a clamar por Beleza em busca da saúde mental.

Beleza faz parte da qualidade de vida e é fácil de reconhecer, embora seja relativa. Não requer treinamento para ser percebida, mas depende do tempo em que vive o apreciador e de seus valores.

Uma casa muito pobre, feita de taipa e com o telhado de palha, pode ter ao redor flores em canteiros bem coordenados de cores diferentes plantadas ali por seus moradores para acrescentar qualidade de vida, prazer aos seus olhos.

Onde falta tudo pode não faltar o preenchimento do desejo estético.

Mas esse preenchimento estético pode se revelar num vaso de flores de plástico no centro da mesa, que para mim é feio, mas está ali porque é belo para os moradores daquela casa.

Somos todos naturais produtores e consumidores de Beleza, embora nem todos sejamos artistas. Ser artista é um conceito conferido pela comunidade crítica e depende de DNA, meio social e desejo.

O dito popular “quem ama o feio bonito lhe parece” é muito acertado e volta a confundir o belo com o bom.

Uma pintura de Ghirlandaio (c.1480), O velho e seu neto, ilustra esse dito popular. Um velho muito feio é embelezado pelo olhar fascinado e cheio de amor de seu neto. A experiência da criança com seu avô embeleza seu ato de perceber.

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A Arte é Beleza?  (Pensamentos) escrito em sexta 23 maio 2008 18:57

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A Arte é Beleza?                    

Professora Dr. Ana Mae Barbosa 

A idéia de Arte como experiência afastou outra concepção cristalizada pelo Renascimento: a de que Arte é Beleza.

Artistas modernistas que operaram radicais transformações na Arte entre as duas grandes guerras não só se recusavam a conceber Arte como Beleza, mas principalmente procuravam evitar a Beleza na Arte.

Como diz Arthur Danto, procuraram suprimir a Beleza num gesto de protesto contra a sociedade deflagradora da guerra. Os dadaístas foram os principais responsáveis pela morte da Beleza na Arte.

Danto nos lembra uma frase de um poema de Rimbaud (A season in Hell):

”Um dia eu sentei Beleza nos meus joelhos e achei-a amarga, e abusei dela.”

Diz que esta frase expressa exatamente a atitude dos dadaístas tardios. Eles consideraram a Beleza amarga porque estavam amargos com a sociedade que venerava a Beleza.

Na guerra, seus governos abusaram da Justiça; em simbólica retribuição, eles abusaram da Beleza. As experiências dos artistas durante a guerra foram de ordem traumática, levando-os a politizarem a Beleza.

Max Ernst, que serviu na artilharia, depois da guerra disse:

Para nós, Dada foi acima de tudo uma reação moral. Nossa ira buscava total subversão. A horrível e fútil guerra havia nos roubado cinco anos de nossa existência. Nós experimentamos o colapso no ridículo e a vergonha de tudo que era apresentado a nós como justo, verdadeiro e bonito.”

Em vez de apresentar uma visão enobrecedora, Arte transformou-se em um meio de mostrar a feiúra moral da sociedade que os havia posto a atravessar o inferno.

George Grosz, que chegou a tentar o suicídio para não voltar para o front, disse:

”Eu desenhava e pintava dominado pelo espírito da contradição, tentando no meu trabalho convencer o mundo de que ele era feio, doente, mentiroso.”

É possível uma obra ser artisticamente boa, mas feia.

Minha filha, quando tinha 5 anos, passou por um daqueles prédios rococós e disse:

– Olha, mãe, um prédio feio, bonito.

Para ela era feio, pois não correspondia à estética de nosso tempo, mas era bonito pois representava o passado. Era significante.

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Arte se aprende?  (Pensamentos) escrito em sexta 23 maio 2008 18:01

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Arte se aprende?                                                    

Professora Dr. Ana Mae Barbosa

 A nossa vida é uma aprendizagem constante. Tudo que somos foi e continua sendo aprendido. As predisposições genéticas existem, mas podem ser inibidas ou desenvolvidas pela vida que se vive e ainda podemos assimilar tudo que é humano. Tenho dúvida acerca de nosso poder de ensinar, mas nenhuma sobre nosso poder de aprender.

São assuntos para discutirmos e procurei responder com toda a sinceridade de minhas dúvidas, que são muitas. Quanto mais leio mais duvido, porém me sinto confortável duvidando. Era muito mais insegura quando acreditava em uma ou outra teoria e a defendia acerbamente. O importante é verbalizar, ordenar as dúvidas.

Outras teorias da Arte pipocaram na minha cabeça, algumas manejadas até hoje. Por exemplo:

  • Arte como jogo, de Wittgenstein;
  • Arte como empatia, de Worringer e Vernon Lee;
  • Arte como Forma Pura, de Roger Fry;
  • Arte como preenchimento do desejo, de Nietzsche, Freud, Jung;
  • Arte como Beleza, reforçada pelos renascentistas.

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Arte se ensina?  (Pensamentos) escrito em sexta 23 maio 2008 17:37

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Arte se ensina?                                                       

Professora Dr. Ana Mae Barbosa

 Parodio Paulo Freire dizendo: ninguém ensina nada a ninguém, aprendemos uns com os outros, mediatizados pela experiência que o viver e o mundo nos oferecem. Podemos, sim, ensinar a aprender. Antes a Educação se concentrava em procurar ensinar a fazer Arte e aí esbarrava nos problemas de talento. Hoje a ambição de ensinar Arte se ampliou, e os que não têm especial talento podem desenvolver sua capacidade de ver Arte, de aprender vendo, interpretando, analisando – e assim podem tornar-se mais capazes de analisarem a si mesmos, os outros e o mundo ao redor.

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